Já fui Santo António

Julho de 1980. Em Feirão, terra natal da minha mãe, durante uma procissão ao Santíssimo Sacramento, a minha avó cumpre uma promessa de fazer a procissão de joelhos diante do Santíssimo, para que o seu marido ficasse curado. A promessa era também a de que os seus filhos mais novos e eu, único neto nascido, fossemos com vestes de santos. A minha tia foi vestida de Nossa Senhora dos Milagres, o meu tio mais novo foi vestido de São José (à esquerda) e eu de Santo António (à direita). Cumprimos a promessa mas o meu avô acabou por morrer quinze dias depois. A grande mulher foi a minha avó que confiou em Deus. Pode-se concluir que não valeu de nada mas valeu. Valeu a fé daquela mulher que ficou viúva com sete filhos em casa, que teve uma vida dura mas que sempre confiou em Deus. Neste dia de Santo António recordo aquele dia em que eu fui Santo António (tinha 5 anos). Lembro-me da auréola que me apertava, lembro-me do Menino Jesus que acabou por cair e partir-se, lembro-me do calor que fazia. Hoje lembro-me ainda da minha avó que acredito estar junto de Deus em quem confiou.


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