Mães que choram os filhos

Hoje a Igreja celebra Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho. Pelo que se apresenta desta mulher, ela tornou-se conhecida pelas lágrimas que chorou pelo seu filho, Agostinho que não era cristão e que andava desencaminhado. A oração de santa Mónica que se rezou na missa, parece um pouco desactualizada. Nela pedia-se a Deus que, assim como ela chorou pelo filho, assim nós saibamos chorar os nossos pecados para alcançar a graça do perdão de Deus. Parece um pouco desfocada esta intenção. Se calhar deveríamos pedir pelos filhos que entristecem as mães ou pelas mães que sofrem pelos filhos desnorteados. Mas aqui o que se realça são as lágrimas que se choram.

A importância das lágrimas. Elas aparecem em dois extremos, quando são verdadeiras: ou choramos de alegria ou de tristeza. Ovídio dizia que a nossa existência está envolvida em lágrimas: "Nascemos com lágrimas, entre lágrimas nos decorre a existência e epilogamos com lágrimas o nosso último dia ". Os emocionados dizem que choram; os insensíveis dizem que as lágrimas lhes vieram aos olhos. Estas lágrimas de que se falam neste dia são de tristeza, como as de Santa Mónica. Diz-se por aí que as lágrimas lavam a alma. Antigamente até haviam Missas "Pro petitione lacrimarum", para pedir o dom das lágrimas... Santo Agostinho escreveu que as lágrimas são o sangue da alma.
Será preciso chorar para obter o perdão dos pecados? Não. Mas, como disse Emil Cioran (1911-1995), "as lágrimas são aquilo que permite a alguém ser santo, depois de ter sido homem".

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