Alfama entre Missas


Ontem fui à Baixa celebrar duas Missas: uma em São João da Praça e a outra na Sé. E, entre as duas Missas, aventurei-me nas ruas do bairro mais típico e mais antigo de Lisboa: Alfama. "Alfama representa, em relação ao burgo medieval que constitui a Lisboa do século XI, o resíduo mourisco de mais constante carácter. Distinta do outro aglomerado islâmico - a Mouraria - resultante directo da conquista de Afonso Henriques, ela fecha-se sobre si própria e mantém, no seu conjunto, a incerteza do traçado, a irregularidade das linhas de força, a variedade de contornos também comum aos núcleos populacionais do Próximo Oriente". Este primeiro parágrafo, tirado da Colecção "Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa" - edição de 1973, antes de eu nascer! - diz bem o que se vê quando se palmilham as labirínticas ruas de Alfama. Já não há mouros, como é óbvio, mas vemos as tascas abertas a pouca luz, com o cheiro a vinho ou a fritos, vemos a barbearia e as mercearias, vemos a roupa pendurada nos arames e as tradicionais flores nas varandas que já não são alfaces (dizem que o nome de "alfacinhas" vem dos que vinham do interior para a cidade e que plantavam, nas varandas, a sua pequena horta) mas sim flores coloridas, ou não fosse Alfama um bairro de cores, sabores e vozes.
Mas Alfama é também camaleónica. O mesmo bairro em Fevereiro é totalmente diferente em Junho em que, com música, luzes, fogueiras, sardinhas e manjericos se festeja o santo Antoninho, que por ali foi nado e criado. A alfama de Fevereiro estava calma. Ouviam-se os miúdos a gritar nas brincadeiras de rua, começavam a abrir as casas de fado e eu encaminhei-me para a Sé para a minha segunda Missa. Estas fotografias, de fraca qualidade porque foram tiradas do telemóvel, são alguns exemplos da antiguidade deste bairro mítico e típico da velha Lisboa.








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