Portadores da Luz


Hoje celebra-se, em todo o mundo, a festa da Apresentação do Senhor. Lembramos o quadragésimo dia depois de Jesus nascer em que os seus pais - judeus observantes - levaram o Menino para ser circuncidado, um rito pelo qual um homem se consagrava a Deus. Nós celebramos este dia não com circuncisões nem com baptismos nem ainda com bênçãos de bebés. Celebramos este dia com velas na mão. É assim que acontece desde, pelo menos, o século IV em que uma peregrina, Etéria, saiu das nossas bandas - entenda-se Ibéria - a caminho da Terra Santa e onde escreveu o seu diário. Passou lá o dia desta festa que narra assim: "Na verdade, o quadragésimo dia após a Epifania é aqui celebrado com suma honra. Há, nesse dia, uma procissão na Anástasis e todos dela participam; tal como na Páscoa, tudo decorre segundo a Tradição e com grande júbilo. Pregam todos os sacerdotes e também o bispo, expondo, sempre, o passo do Evangelho no qual se lê que, no quadragésimo dia, José e Maria levaram o Senhor ao templo onde o viram Simeão e a profetisa Ana, filha de Fanuel, e se mencionam as palavras que proferiram ao ver o Senhor e a oferenda que fizeram os pais. Depois de executadas, segundo o rito, as cerimónias do costume, celebra-se a Santa Missa e termina o ofício". A vela, talvez o maior símbolo cristão, ou pagão cristianizado, se preferirem, tem a missão de dar-nos luz ao mesmo tempo que se vai gastando. Consome-se em função da luz que dá. E neste dia, cada um de nós é, simbolicamente, este velho Simeão, que tem nas suas mãos a Luz que tão ardentemente esperava e que depois de a ter nada mais quis senão morrer.
Lembro-me de um texto de Orígenes, a propósito desta passagem, que dizia que a luz de Cristo liberta e que, tomando o Menino Jesus nos braços, e tendo-o no coração, alegres e contentes, poderemos ir aonde quisermos.
É para nós - é para mim - uma grande responsabilidade ter, neste dia, uma vela na mão. Logo, na Missa, quando estiver a cantar as palavras do velho Simeão, vou pedir a Deus que me dê luz, e que não me esqueça da minha missão de ser luz de Deus para os outros, porque "Eu não existo fora de Deus, nem Deus fora de mim. / Eu sou o seu brilho, a sua luz, Ele é a minha glória" (Angelus Silesius).

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