O que fazer?

As imagens são terríveis. Não foi um terramoto, foi um dilúvio. Não foi lá longe, foi na Madeira. No sábado à tarde ligaram para o Convento para nos dizerem que estava a chover muito na Madeira e que "Deus estava a castigar os homens". Obviamente não concordei com quem disse esta barbaridade até porque a sabedoria popular é clara quando diz "Deus perdoa sempre, os Homens perdoam às vezes, a Natureza não perdoa nunca".
É uma mania humana - e que má mania! - remetermos estas coisas para Deus. O mais engraçado é que mandamos para Deus aquilo que já nos ultrapassa, depois de vermos que estamos impotentes... E devíamos ter cuidado com o que dizemos: 'graças a Deus que os meus estão bem....' e então os outros? Nunca vivi pessoalmente um drama destes. Não sei o que é sobreviver a um terramoto, não sei o que é ficar desalojado, não sei o que é ficar sem comida e sem roupa.
Venho de almoçar. Na mesa em que estava falou-se obviamente do tema "Madeira". E que mais podemos dizer senão que Deus também lá está a sofrer? Que Deus ficou nu, sem casa e desalojado? Precisamos de ajudar Deus. Ajudá-lo ajudando quem precisa. Quer seja na Madeira ou no Haiti, no nosso prédio, no nosso trabalho ou até na rua. Ajudar Deus é tarefa de quem nele acredita.
Não é tempo de pensar porquês nem de achar culpados. É tempo de agir. Quem não tem fé que o faça por solidariedade humana. Para quem tem fé acresce a responsabilidade moral do outro que precisa da minha ajuda e da minha presença.
No princípio do mundo, pouco tempo depois de ter criado os seres humanos, houve um dilúvio. Durante quarenta dias chovei dia e noite, sem interrupção. Mas depois lá veio a pomba, com um ramo de oliveira, que vinha dizer aos que estavam na Arca de Noé que uma nova vida começava.
Também para a Madeira, depois deste dilúvio de só apenas oito horas, aparece este pequenino ramo de oliveira que, para mim, quer significar solidariedade, esperança, presença de Deus.

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