Apresentação formal

Esta manhã fui apresentar-me ao pároco de Carnide. Já o devia ter feito, uma vez que o hospital onde trabalho pertence juridicamente a esta paróquia. Mas o padre não estava não paróquia, estava em casa - o convento da Luz - e eu, além de me apresentar, fui também resolver a situação de dois batismos que fiz recentemente no hospital. Como tivemos de vir à igreja paroquial para carimbar uns papeis, falámos sobre a questão de pertença numa cidade como a de Lisboa. De facto, a mobilidade actual confronta-se com a rigidez do direito canónico, que não prevê a celebração de sacramentos fora das igrejas paroquiais, pelo menos à primeira vista. Parte-se do princípio que todos os paroquianos vão à Missa à sua paróquia e que a paróquia é a única referência. Neste momento nada mais errado. Porque temos os que usam a cidade só à semana, por causa do emprego, e que aos fins-de-semana vão para a casa de férias; temos os que não gostam do ambiente paroquial e vão à missa à capela de um hospital ou à igreja de um convento... e temos ainda os que, por motivos mil, não gostam da sua paróquia e vão a outra e é aí que normalmente celebram a sua fé. O pior é quando há batizados e casamentos. Nestes casos já não podem celebrá-los onde celebram a sua fé mas lá vão ter que ir à paróquia de residência, onde às vezes nem sabem onde fica, para tratar das coisas, pedir transferências e, se o padre não for lá muito simpático, ainda o ouvem refilar porque não vão lá à missa e não sabe se vale a pena batizar ou casar pela Igreja (isto acontece!).
Mas este pároco pôs-me à vontade: frei Filipe, não hesite em batizar quando achar que deve. Os papéis vêm depois da urgência. E pensei: é uma pena que nem todos os párocos pensem assim.

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