Deus na ciência

Terminou hoje a reunião que me fez vir a Ávila. E começaram nesta tarde umas jornadas de pregação. Este ano o tema é: Deus e ciência. Depois do que ouvi - duas de três conferências - creio que o título deveria ser Deus NA ciência porque, como dizia Einstein "A ciência sem a religião fica coxa e a religião sem a ciência fica cega". Portanto, não são duas realidades diferentes mas que se complementam ou até se explicam.
Mas queria partilhar o que aprendi destas duas conferências que tinham o mesmo título "Deus e a ciência" mas com perspectivas diferentes: a primeira era na perspectiva da ciência - falou um Jesuíta - e a outra na perspectiva da filosofia - falou um Dominicano.
Confesso que a da ciência me entusiasmou mais. Perceber as origens do universo e a evolução das espécies e perceber que Deus não está fora disto tudo foi importante. Perceber que há coisas que a ciência não explica, porque não consegue chegar lá, como por exemplo o primeiro segundo da origem do universo, ainda antes do Big-Bang, não se consegue perceber a originalidade do ser humano porque não é uma simples evolução do símio - o símio continuou enquanto que o ser humano se separou dele há seis milhões de anos e evoluiu... Ou seja, se os ateus dizem que a ciência avança e a religião retrocede (há uma relação forte entre ateísmo e ciência), a verdade é que a ciência faz o caminho contrario ao de Deus: Deus começou tudo do nada até chegar ao agora, enquanto que a ciência, a partir do agora tenta chegar ao nada, embora com muitas lacunas. Não quero, porém ser fundamentalista. É claro que a Bíblia não é um manual de ciências e não quer tirar o lugar à ciência. Mas também não têm que percorrer caminhos separados. Para mim fico com a ideia de que Deus como em tudo, deixa o homem ser livre. Ele que investigue, que avance, que procure... só é pena que, quando chega a um ponto em que não pode ir mais não chegue à conclusão que aí está Deus.
Como se poderia harmonizar a relação entre a religião e a ciência? O conferencista dizia assim: Deus criou tudo, tudo depende dele e tudo é bom. Como é que foi tudo isso? A ciência que o explique.
A segunda conferência, que entrou no campo da filosofia, entrou por outros caminhos. Começou por afirmar uma coisa que é certa: a ciência continua a ser um conhecimento incompleto. E a filosofia é essencial porque a ciência não tem ética. Por isso, é necessária e urgente uma reflexão que acompanhe o discurso da ciência no que diz respeito a temas como a liberdade, a tolerância, a ética, o diálogo...
Amanhã termina-se com a questão da teologia: que diálogo entre a ciência e a teologia? Não sei o que se vai dizer e, certamente, não virei aqui escrever, mas concordo com São Tomás de Aquino, numa citação feita hoje numa das conferências: Uma visão errada das criaturas (ciência) leva a uma visão errada de Deus (religião).


(imagem do Mestre Bertram, A criação dos animais, 1383)

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