Luzinhas que brilham

Cá estou eu numa segunda-feira de padre, que é o mesmo que dizer, dia de descanso. São raras, mas às vezes parecem o céu. Da Páscoa até ontem, e para mim ainda esta semana, são dias cheios, de trabalhos e correrias.
Mas este foi um dia calmo. Deu para dar uma arrumadela ao quarto, que bem precisava. Não se faz tudo num dia, mas hoje já dei um grande avanço. Falta-me ganhar coragem para uma grande arrumação, que espero fazer em breve.
Mas não foi este preâmbulo que me fez aqui vir deixar umas linhas. Venho de um passeio na plataforma do convento. Aproveito para apanhar ar - que bem ando a precisar -, rezar o terço e pensar na vida. E, enquanto fazia isto tudo, começo a ver uma luzinha a piscar. Estava sem óculos, o que pensei ser vista cansada. Mas não. Era um pirilampo que me acompanhava. Lá ia ele, ora ao meu lado ora à minha frente, a piscar, coitado, não aquele verde dos pirilampos mágicos mas um amarelo doce, tipo cor de mel. Entretanto lá se desviou para outros caminhos e, quando virei, voltei a encontrá-lo. E pus-me a olhar com mais atenção e começo a ver tudo a piscar à minha volta. E aquela parte do jardim piscava, que parecia semeado de luzinhas, trémulas e inconstantes. Há 14 anos que vivo neste convento e nunca tinha visto pirilampos por aqui. Entretanto lembrei-me de uma amiga que tem uma história engraçada com pirilampos. Como estava a rezar o terço rezei também por ela.
Às vezes, na vida, precisamos de estar atentos às luzinhas que nos dizem que não é tudo breu. Essas luzinhas fazem-nos sorrir, olhar o escuro com atenção para ver luz, mesmo que seja a piscar. Como escreveu Angelus Silesius: "A luz da glória brilha em plena noite, / quem pode vê-la? Um coração que tem olhos e vigia".

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