À procura do tamanqueiro... entre outras coisas

1. Ontem andei pelo concelho de Resende. Como não há café em Feirão, aproveitamos para ir conhecer outras terras. Fomos a Paus e a São Marinho de Mouros, que já é vila. Aldeias situadas nos vales da serra de Montemuro, com o rio Bestança pelo meio, como se fosse uma risca a separar os dois lados, rio que vai desaguar ao Douro. Consegui ver a igreja graças ao sacristão, que ma foi abrir por ser quem era. De uma beleza única, com os conhecidos quadros de Grão Vasco e a arquitectura românica. Não se compreende como se faz propaganda da vila e ao chegarmos lá damos com as portas da igreja fechadas.












2. Hoje foi dia cheio. Depois da Missa da manhã, todos os dias às 8 horas, uma grande caminhada até um santuário que fica a cerca de seis quilómetros, o Santuário do Senhor do Fojo (refúgio). Este era o meio do percurso. Acompanhada por uma senhora de Cotelo, a terra do meu pai, lá continuámos a nossa caminhada, falando da vida, mais ela do que eu, desta vez pelos caminhos antigos. O almoço foi com o Pároco daqui e com um outro padre de aqui perto. Não os conhecia nem eles a mim. Um almoço muito simpático, de contrastes pastorais entre o Norte e Lisboa.
A tarde foi dedicada ao artesanato da região. Uma tia minha numas coisas de decoração para a casa e eu a teimar com uns tamancos. Nesta região os tamancos são calçado de trabalho e até de casa. De madeira e couro, ferrados com borracha, servem para aquecer, para ir às lojas dos animais e andar na rua no inverno, com a chuva e com a neve. E lá fomos à procura dos tamanqueiros. O mais conhecido era o de Matancinha, que morreu. De lá deram-nos a indicação que talvez em Magueijinha ainda encontrássemos. Sim senhor, o senhor Isidro faz mas só por encomenda, não estava em casa e não tinha couro. Que em Lamego sim, que os havia. E lá fomos a Lamego à procura dos benditos tamancos. Na velha rua da olaria lá os encontrámos. Não tão bons como os de antigamente mas o melhor que agora se consegue.
Vão cá ficar para os usar por cá. Certamente que não lhes vou dar o uso original. Mas vão servir para mais alguma coisa para além da decoração.
Cai a noite. Os cães uivam. Feirão desapareceu. O nevoeiro encobriu-o.







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