Bíblia, Oração e Consumismo



Este título poderia ser o de um retiro. Mas, de facto são de três intervenções que terei de fazer a curto prazo: um curso de iniciação a São Mateus, um retiro sobre oração , que acontecerão nas próximas semanas, e um encontro sobre cultura e pregação, com data marcada mas que só se realizará em 2011. Tenho estado a trabalhar em São Mateus e na Oração a todo o vapor. Tinha levado material para o Capítulo Geral, para ir lendo e arrumando ideias; agora é o tempo de esquematizar e dar conteúdo. No entanto, ontem comprei um livro sobre a sociedade contemporânea. É mais um ensaio filosófico, de um filósofo marcante, Gilles Lipovetsky, sobre a sociedade do hiperconsumo. O livro tem o título "A felicidade paradoxal". E, de facto é o que se vai vendo. A procura da felicidade, a felicidade que quase é uma religião, e que, ao mesmo tempo não trazem a verdadeira felicidade. Os humanos contemporâneos somos chamados por este autor como homo consumericus, consumista.
Como é óbvio ainda não li o livro. Folheei-o, vi a bibliografia e o índice. E de que vai falar este ensaio? Do consumo emocional (marcas, hiperconsumo, dependências, hedonismo...), da espiritualidade consumista (consumo prudente e limites da mercantilização), dos prazeres privados que são sintomas ou levam à decepção, às frustrações, à delinquência, do carpe diem (sagração das pequenas felicidades, conforto e bem-estar, noites de delírio e dias de festa...), da obsessão pelo trabalho, pelo desporto, do desejo..., para terminar com algumas reflexões sobre a verdadeira felicidade: sabedoria da ilusão, o consumismo responsável, a ética os limites do consumo para uma verdadeira alegria de viver.
Estamos no meio de uma crise mundial e nós, portugueses, numa crise nacional. Pelo que nos têm dito, vamos sofrer nos próximos tempos. Muitos de nós, mais ou menos ricos, teremos de repensar a nossa maneira de viver: abdicar de pequenos luxos a que habituámos as nossas vidas mais ou menos aburguesadas. Os mais ou menos pobres, que não têm muita alternativa à vida pobre que já vivem, vão sofrer mais que nós. Se juntarmos a esta pobreza a desorientação de vida que algumas pessoas têm, que preferem passar fome do que abdicar do telemóvel ou das marcas de roupa que 'têm' de vestir, vemos o cenário ainda mais escuro.
Somos conhecidos pelo que vestimos, pelo que temos, pelo que aparentamos e não por sermos bons, honestos, justos, amigos... outros valores. Chegámos a um estatuto do qual não queremos baixar e então, todas estas mudanças acontecerão por obrigação e não por opção. Ora, todos sabemos que as grandes mudanças que podem acontecer na nossa vida não vêm do exterior mas do interior. A dificuldade estará em saber entrar em si próprio. Depois disso abre-se um novo caminho, não o das ilusões mas o da esperança e da verdadeira felicidade.
(Georges de la Tour, o pagamento de dívidas, 1630)

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