Uma prenda de Deus


Celebra-se, hoje, a festa dos Santos Anjos da guarda. Anjos sem nome, uma prenda de Deus. É uma ideia errada a que se propaga nas revistas de esoterismo e de pseudo-angeologia de que podemos saber quem é o nosso Anjo da guarda. É uma prenda. Uma prenda que Deus nos dá, segundo a Tradição cristã, no dia do nosso nascimento.
Também, para muitos, a primeira oração aprendida foi dirigida ao Anjo da guarda: Anjo da guarda / minha companhia / guardai a minha alma / de noite e de dia. Alguns que, como eu, apanharam ainda as catequistas antigas, que ensinavam a doutrina e as orações, lembram-se de uma outra oração mais completa: Santo Anjo do Senhor / meu zeloso guardador / pois a ti me confiou / a piedade divina / hoje e sempre me governa / rege, guarda e ilumina. Ponto aparte, infelizmente tem entrado na moda uma canção dos Xutos que, em alguns colégios e aulas de catequese, anda a substituir a cândida oração por esta canção, em que se pede ao Anjo da guarda para sonhar, ser astronauta e voar! Mais valia recuperar a do Variações que, na sua originalidade, é mais coerente com o espírito cristão do Anjo da guarda...
Mas, variações à parte, queria aqui deixar a minha homenagem e reconhecimento ao meu Anjo da guarda. Hoje podemos ser egoístas uma vez que cada um de nós tem o seu! São Bernardo, num tratado sobre os Anjos, diz que, para cumprirmos os nossos deveres para com o Anjo da guarda que Deus nos dá, é preciso prestar-lhes três homenagens: a do respeito, pela sua presença constante junto de nós para nos guiar no caminho do bem e da virtude; a da devoção, pela caridade com que nos inspira os bons pensamentos e os bons desejos; a da confiança, pela vigilância que exerce à nossa volta contra o mal que nos rodeia.
E quando as coisas nos correm mal? É culpa do Anjo da guarda? Aqui não se aplica o "cada um tem aquilo que merece". Se nós somos maus é porque nos esquecemos que existe o Bem, que é Deus, e nos esquecemos deste amigo invisivel, silencioso que, tal como Deus, só nos quer mostrar o caminho da felicidade.

(Pietro da Cortona, O Anjo da guarda, 1656)

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