Lacordaire

O P. Lacordaire foi um dominicano francês do século XIX. Foi padre, educador, jornalista e até deputado. A importância deste homem foi a de que, a partir de um certo momento da sua vida quis reestabelecer a Ordem dominicana em França. Falamos de um tempo difícil na França, das chamadas revoluções de 1830, em que era proibido, entre outras coisas, o direito de associação religiosa, e por isso, Lacordaire vai interessar-se por esta causa - não é por acaso que escolhe os Dominicanos, uma vez que, para ele, a Ordem Dominicana, era benéfica para a sociedade pelas suas dimensões do estudo e do ensino.
Era um grande orador. Uma pregação persuasiva. Não só na Igreja mas também no Estado. Em 1830 Lacordaire é eleito deputado da Assembleia Constituinte e aí, já dominicano, vai destacar-se pela sua defesa dos direitos do homem no que se refere à liberdade de expressão e de associação. Na Igreja, vai ter um momento forte quando é convidado pelo arcebispo de Paris a pregar as conferências da Quaresma do ano de 1935.
Mas, se escrevo hoje sobre Lacordaire, é também pelo que deixou escrito. Para além de sermões, conferências, discursos, escreveu duas obras "dominicanas" de muito interesse. A mais conhecida é a História de São Domingos. Mas há um livrinho, que escreve em 1839, a que deu o título de "As ordens religiosas - que são? Que fazem?". É uma apologia e, ao mesmo tempo, um memorando para si próprio e para a sociedade francesa do porquê do seu projecto e que benefícios poderia trazer para a sociedade. Assim, o dito livro tem apenas 7 capítulos: 1. Da legitimidade das Ordens Religiosas no Estado; 2. Ideia geral da Ordem dos Pregadores e das razões para a reestabelecer em França; 3. Trabalhos dos Frades Pregadores como missionários: suas missões no antigo e no novo mundo; 4. Trabalhos dos Frades Pregadores como Doutores: São Tomás de Aquino; 5. Dos artistas, bispos, cardeais, papas, santos e santas dados à Igreja pela Ordem dos Pregadores; 6. Da Inquisição.
Por coincidência, se é que as há, passou pelas minhas mãos uma tradução portuguesa dos anos 30 do século passado. O livro pertence à comunidade do Porto. Esta manhã fotocopiei-o e levei-o para o hospital, onde ia acompanhar um doente a uma consulta.
O livro promete. Transcrevo um parágrafo do primeiro capítulo que fala da constituição de uma comunidade religiosa: "Uma comunidade religiosa compõe-se de três partes: o elemento material, o elemento espiritual e o elemento de acção. Por elemento material entendo o mecanismo exterior da vida, isto é, as regras que determinam o alojamento, o vestuário, o sustento, o levantar e o deitar, numa palavra, todos os actos relativos à conservação do corpo. Consiste, o elemento espiritual, nos três votos de pobreza, castidade e obediência, de onde derivam e a que se ligam todas as relações com Deus. O elemento de acção é o meio pelo qual uma comunidade religiosa influi sobre a sociedade."

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