Um Santo que Roma deu

Celebra hoje a Igreja, com alegria e orgulho, um dos seus santos mais antigos e mais veneráveis: São Lourenço. Homem de Deus, servidor da Igreja, amigo dos pobres, forte de carácter e de convicções, de tal maneira que acaba grelhado entre as brasas de um grande caldeirão. Aliás, a sua iconografia define-o bem: dalmática, veste dos diáconos, a grelha, sinal do martírio e, ou o Evangelho ou a bolsa dos pobres.
Este é o diácono Lourenço que, apesar de ter nascido em actuais terras de Espanha (no tempo de São Lourenço, século III, era tudo Império Romano), cedo foi viver para Roma, onde era reconhecido como um bom cristão. Bom de fé, bom de costumes, bom de bondade. De tal modo que o Papa Sixto II, conhecendo-o, ordena-o diácono da Igreja de Roma e confia-lhe o ministério da caridade. expressão bonita para dizer administração dos bens da Igreja e ajuda aos mais pobres. São Lourenço levou a sério este ministério, sobretudo na ajuda aos mais pobres. E vemo-lo nas ruas de Roma distribuindo esmolas pelos mais pobres, chegando até ao ponto de se desfazer das próprias alfaias litúrgicas: turíbulos, cálices, cruzes e candelabros. Tudo dava ou vendia para os os pobres. Para quê acumular riqueza, pensaria certamente São Lourenço, quando Deus não precisa nem de prata nem de ouro e os pobres sim, para comer? E lá ia ele, talvez criticado por uns mas apoiado por outros, inclusivamente pelo próprio Papa, que confiava plenamente neste seu diácono.
Mas temos de ter também presente que estes tempos eram conturbados para a Igreja. O cristianismo era seita proibida e, apesar de de vez em quando haver tranquilidade, outras vezes havia fortes perseguições. Foi numa destas perseguições, no tempo de Valenciano, que foram apanhados o Papa e o diácono. Ao Papa mataram-no logo mas a Lourenço, sabendo que ele administrava os bens da Igreja, exigiram-he que reunisse numa igreja as riquezas da Igreja. Ao que Lourenço respondeu prontamente que sim, que o faria, precisando somente três dias, para reunir o maior numero de riquezas da Igreja.
E três dias depois lá estavam todos os comandantes para receberem a riqueza reunida. Lourenço abre as portas da igreja e, ao apontar para os pobres que tinha juntado durante aqueles três dias, respondeu ao imperador: querias as riquezas da Igreja? Aqui estão. São os pobres a riqueza da Igreja.
Esta atitude, que foi interpretada pelo imperador como afronta, valeu-lhe a vida. E não foi uma morte suave. Furioso, o imperador manda fazer uma boa fogueira e nela uma grelha para aí queimar o diácono insolente. Lourenço, calmo, ao ver que sorte lhe estava reservada, responde calmamente para o imperador: Eu adoro o meu Deus e só a ele sirvo; por isso, não receio esses tormentos. E encaminhou-se para a grelha. Depois de torturado deitaram-no na grelha e aí foi queimado vivo. Diz a tradição que São Lourenço não sentia dores e que até dizia aos carrascos: já estou assado deste lado, podem virar para o outro. E assim deu a vida por Cristo, que deu a vida por todos nós.

(Imagem: São Lourenço distribuindo esmolas, Bernardo Strozzi, 1640)

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