Aniversário da Dedicação da Basílica de São João de Latrão

Dizem que vir a Roma e não ver o Papa é uma grande falta, mas, vir a Roma e não me vir visitar é uma falta maior. Porque sou a mais antiga igreja de Roma e do Mundo. Com razão me chamam a "Mãe de todas as Igrejas". Antiga, bela e formosa.
Sou antiga porque sou do tempo do cristianismo livre, dos tempos de Constantino, que me mandou construir. Pedra sobre pedra, aos poucos, numa mistura de lágrimas de trabalho misturadas com as lágrimas de alegria por, finalmente, deixarem construir-me para acolher os cristãos. Os meus construtores quiseram deixar a sua marca. E mandaram escrever, na minha fronte, por cima das colunas, estes dizeres: "Por direito papal e imperial, estabeleceu-se que eu seja a Mãe e cabeça de todas as Igrejas. Quando se concluiu toda a obra, determinaram dedicar-me ao divino Salvador, dador do Reino celestial. Por nossa parte, ó Cristo, a Ti nos dirigimos com humilde súplica, e Te pedimos que, deste ilustre templo, faças a tua residência gloriosa".
Mas não é só a antiguidade e a história que me dão este estatuto. Na verdade, assim como todas as dioceses têm a sua catedral, assim Roma me tem a mim. É verdade. Apesar do meu bispo, o Papa, viver em São Pedro, aqui é que está a sua cadeira. Aliás, muita gente não sabe que Cátedra quer dizer cadeira, e que às Sés se chamam Catedrais porque lá está a cadeira do bispo que preside à diocese. É em mim que o papa, o bispo de Roma, tem a cadeira e onde vem frequentemente celebrar. Não tenho inveja das outras basílicas. Em coisas de igreja a inveja é um feio sentimento. São Pedro tem o seu papel, Santa Maria Maior e São Paulo extra-muros, também, e eu também tenho o meu papel.
Quando fui dedicada não havia ainda esta ideia de casa de reunião do povo. A conceção era outra. Eu fui dedicada a Deus e, por excelência, o lugar onde Deus habita. Como se a Deus o pudéssemos encerrar numa casa como eu, por bonita e agradável que seja. Mas é importante este sentimento de estar dedicada às coisas de Deus e não a outras.
Não tenho dúvidas de que os verdadeiros templos são aqueles que se reúnem nos templos. Cada pessoa é também dedicada a Deus, pelo batismo, assim como eu fui, naquele longínquo ano de 309.
Por isso gosto que me visitem, que entrem para ver a beleza que tenho, que me tirem fotografias mas, sobretudo que se sintam unidos a todos os cristãos do mundo. Porque isso sim represento e quero representar: a unidade. Nós, os de Cristo, devemos ser unidos.
Apesar de avançada na idade e de já muito ter vivido e recordado, cá continuo como mãe e cabeça de todas as igrejas. E firme nesta questão da unidade.
O que mais gostaria é de que, quem me visita, sentisse que a beleza interior é a mais importante. E que todos deveríamos resplandecer de beleza pela nossa fé e pelas nossas obras.
E já sabem, quando vierem a Roma venham ver-me.

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