Um poema para a crise

Há mais de uma hora que procuro a frase certa, a quadra ou o poema, que dê corpo ao postal de Natal do Convento. De autor em autor, de antologia em antologia, vou folheando as páginas para ver se encontro alguma coisa que me agrade. A minha mentalidade, talvez antiquada, não se conforma com estes poemas modernos, que falam de árvores-de-natal chinesas ou de Natais passados em Miami. Mas também acha desajustada ir buscar às arcas encoiradas os poemas barrocos de anjos resplandecentes e Meninos Jesus em frias palhas deitados... Não encontro um meio termo. Nem o Torga me salva desta aflição. Os seus poemas de Natal são interessantes mas muito pessoais... Não tenho uma frase de Santo Agostinho ou de Santo Efrém que me resolva a preocupação. O que me apeteia mesmo era escrever na caixa do texto "Devido à crise não se encontrou um poema à altura da época que celebramos". Mas não pode ser. Sendo assim, acho que este ano vou-me ficar pela Sophia, num poema de duas linhas, que, não sendo de Natal, cumpre a função: "Deus é no dia uma palavra calma / Um sopro de amplidão e de lisura".

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