Um ramo de amendoeira


"E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Que é que vês, Jeremias? Eu respondi: Vejo uma vara de amendoeira. Então me disse o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir".
Acabou a visita do Mestre da Ordem a Portugal. Esta manhã houve a reunião do Conselho da Província, onde já nos adiantou algumas orientações sobre o que viu.
As palavras de Jeremias (1, 11), com que comecei este post, falam de novidade. Na verdade, a amendoeira é a primeira árvore da primavera a florir. E, em tempos de tanta crise, social e religiosa, à qual não escapa a própria vida religiosa, apercebo-me que as intuições do Mestre da Ordem não nos levam ao passado, tenha sido derrotista ou glorioso. Confirmei aquilo que já vinha a sentir de outras alturas, que o olhar positivo, real e estimulante sobre o presente e o futuro, é semelhante à visão do profeta que, ao ver o ramo de amendoeira florir, percebe que um novo ciclo começa. Será um desafio para nós, dominicanos portugueses, mas que se alarga a qualquer pessoa: no mundo em que vivemos, mais ou menos bom, com mais problemas ou menos problemas, o nosso olhar tem de ir mais longe, tem de ser um olhar de esperança para ganharmos vontade para recomeçar, continuar ou mudar. Não por causa de nós, mas por causa do mundo querido e amado por Deus. Como um ramo de amendoeira, mesmo cortado e num jarro de água.
(imagem: Vincent Van Gogh, ramo de amendoeira florescendo num jarro, 1888)

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