Dei-vos o exemplo



No Evangelho da Missa da Ceia do Senhor, Jesus, depois de lavar os pés aos seus discípulos - embora não o tivesse feito para lhes dar o exemplo, como se estivesse a ensinar como se faz - pede-lhes que eles façam como ele fez. Mas, o que é que Jesus fez de tão extraordinário? De facto, lavar os pés aos convivas era um ritual normal, na prática do acolhimento. Mas aquele gesto resumiu toda a vida de Jesus. Afinal ele não veio para servir? Aqueles gestos de humildade de sair do seu lugar, de tirar a sua túnica e de se curvar diante dos Doze, são o melhor ensinamento, quase sacramental, de que todos devemos estar ao serviço de todos. E sem glórias, visibilidades ou louvores. Na intimidade, como Jesus fez com os Doze.
Mas continuemos a reparar nas mãos de Jesus. Nesta Ceia elas serviram para lavar os pés dos Doze e para partir e repartir o pão e o vinho, estes sim, sacramento do seu Corpo e Sangue. São as mesmas mãos que tocaram nos olhos do cego de nascença, as que levantaram do chão a pecadora condenada, as mesmas que viriam a ser pregadas na cruz. As mãos do ministério, as mãos que foram expressão da misericórdia e da esperança de Deus.
Herdámos desta Ceia estes dois gestos do Senhor: o da Eucaristia e o do serviço. Queira Deus que tenhamos consciência de que o preço da nossa salvação não foi pago com ouro nem prata mas com o sangue de Cristo, o sangue vivo e quente que brotou do seu corpo sofrente e morto.

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