O livro do Papa


Ontem à noite, antes de adormecer, acabei a leitura do novo livro do Papa. Comecei a leitura no primeiro Domingo da Quaresma; levou-me quase um mês a ler. Normalmente sou mais despachado, mas este livro é complicado. Comprei-o e publicitei-o porque pensava que ia na linha do primeiro volume, mas não. É bem mais difícil e pressupõe uma visão biblico-teológica. O primeiro volume era mais espiritual e, para mim, bem mais interessante. No entanto, mesmo com mais ou menos cultura bíblica, é um livro que deve ser lido. Ficamos com a percepção de que em Bíblia não há certezas mas hipóteses. Que ler é interpretar e que interpretar é dar um sentido. Novidade? Alguma. É pena que o Papa (deveria dizer-se Joseph Ratzinger), na introdução fale de bibliografia recente (obras desta última década) mas depois, no texto, que ande à volta de exegetas dos anos 60-70 (é verdade que também usa autores mais recentes). O que valorizo neste livro? A bibliografia comentada. Gosto. Quem faz escolhas bibliográficas deve explicá-las. Gosto também das pinceladas actuais que vai dando aos temas, como dizer que o poder de Deus revela-se na pobreza e na paz de Deus (pag. 16), que Jesus vem com o dom da cura (pag. 29), que praticar a justiça é a maior vigilência (pag. 49), que a verdade e o amor não tem outra arma senão o testemunho do sofrimento (pag. 50)... Mas, para mim, a grande frase escrita pelo Papa está na página 164: "Jesus, no meio da sua Paixão, é a imagem da esperança: Deus está do lado dos que sofrem". Está lido e cumprido o propósito: ler este livro na Quaresma. Por penitência? Não. Por opção.

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