Desgraças a sorrir


Tenho ido nestes fins-de-semana à terra onde me criei. O pároco não está e pediu-me que o substituísse. Uma Missa vespertina de sábado e uma de domingo a acrescentar às que já tenho. Um duplo sentimento: por um lado o tempo passa e a malta mais nova já não me conhece e por isso maior distância; os que na altura já tinham alguma idade agora têm mais mas esses sim, ficam contentes de me ver; e há os da minha idade, anos para cima anos para baixo, os da minha geração. Hoje falei com uma amiga minha, um pouco mais velha que eu, catequista, e perguntei-lhe pela família: irmãos e pais. E foi a desgraça completa: o pai morreu, a mãe, doente com uns problemas na perna, está a viver com ela, que é casada e tem dois filhos; um irmão surdo-mudo, casado e com dois filhos, paralisado numa cama com uma doença degenativa; uma outra irmã, a viver no norte, casada e com um filho, uma outra irmã também casada e com três filhos que vive longe e a mais nova, casada, abandonada pelo marido, com um filho, a viver também na casa desta minha amiga, sem emprego. Dois desabafos dela: em vez de comermos dois bifes comemos só um; e o outro em relação a este sobrinho mais novo: é a luz da minha vida, sinto uma grande alegria de viver. E eu calei-me.

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