Liberdade





Não sei o que foi o 25 de Abril. Fui gerado, nascido e criado depois desse acontecimento. A única realidade sociopolítica que conheço é a que vigora: a democracia. E confesso que também não me agrada muito. Entendam-me: não é tanto pela democracia – defendo que, apesar de não ser o modelo perfeito, é o melhor que temos – mas pelos excessos que se cometem. Tem-me impressionado que, nos últimos tempos, algumas das pessoas que viveram o 25 de Abril digam que agora fazia falta um Salazar (a uma senhora ouvi dizer que, agora, nem cinco Salazares a governar!) para por isto tudo na ordem…
Assistimos às desgraças do país como se não dependesse de nós mudar tudo isto. A democracia, que devia estar cheia de esperança, é vivida com tristeza, descrédito, desespero e, este ano, com o fantasma do FMI, que é quem nos vai governar nos próximos anos (curiosamente não foi eleito mas sim imposto...).
Mas, se virmos bem, nunca estivemos tão condicionados como agora! Temos eleições e, há trinta anos que os governos alternam entre dois partidos políticos, num carma tipo “governo és, oposição serás”. Os que não são governo ou oposição também não são grande alternativa… E assim andamos… E hoje fazem-se uns desfiles na Avenida da Liberdade (feliz coincidência) que não passam disso mesmo: desfiles, manifestações, redizer o dito, voltar ao passado… um pró-forma. Amanhã será o 26 de Abril e pronto, volta tudo ao normal, mais pobres, porque isto da crise é como a procissão: ainda vai no adro.
A liberdade é um direito que deve assistir a qualquer ser humano. Mas a liberdade tem limites. Aprendi em novo que a minha liberdade termina quando começa a do outro.
Houvesse ao menos um português que fundasse um novo partido político, sugiro um PA (Partido da Abstenção), para ver se finalmente a democracia ressuscitava e a percentagem que tem ganhado nas últimas eleições pudesse finalmente governar; e que tivéssemos também um Zeca Afonso (os Homens da Luta, mesmo a ganhar o festival da canção, não são uma boa e digna alternativa) que cantasse umas músicas novas, que exprimissem o que o povo sente ou, pelo menos, houvesse alguma coisa engraçada neste país que hoje só tem os homens e as canções do passado para cantar a liberdade.

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