Morrer para dar vida



A Igreja celebra hoje o mistério da morte de Jesus. O sentido da morte liga-se ao sentido que damos à nossa vida. Morremos como vivemos. Por um lado, em Jesus vemos que a sua morte é a consequência da sua vida; por outro vemos que o modo como morreu foi contrário do que viveu e ensinou. Ele que nunca incitou à violência teve uma morte violenta; ele que nunca quis que os seus sofressem sofreu em silêncio o mal que lhe faziam; ele que era seguido por multidões experimenta o drama da solidão.
Hoje é um dia de contemplar em silêncio o mistério da cruz. Hoje, ao olhar para o Crucificado, vemos que nele se cumpre a profecia de Isaías, que escutámos na primeira leitura: um homem desprezado e repelido pelos homens, um homem de dores, acostumado ao sofrimento, de quem desviamos o nosso olhar.
Hoje, ao olhar para o Crucificado, vemos que ele é, ao mesmo tempo o sumo-sacerdote e a vítima, e que o seu sangue derramado é o sangue da nova, definitiva e eterna aliança.
Hoje, ao olhar para o Crucificado, encontramos o sentido do sofrimento. Ele, que aprendeu a obediência pelo sofrimento. Hoje, ao olhar para o Crucificado, o nosso sofrimento é aliviado, porque ele também sofreu; as nossas feridas são curadas porque ele vem até nós como o Bom-Samaritano. Hoje, ao olhar para o Crucificado, a nossa vida ganha um novo sentido, porque a Cruz faz-nos olhar para dentro, para o sentido da nossa vida.
Hoje, o Crucificado morre para dar vida. Que a nossa vida seja, então, uma vida cheia de esperança porque sabemos que o Crucificado não ficou na cruz nem no sepulcro. Ele continua vivo em cada um de nós.

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