As raves do padre Joaquim


Comecemos por explicar a palavra rave: festa que acontece fora dos centros urbanos, com longa duração.
Nos meus tempos de Seminário era director espiritual o P. Joaquim. Estamos a falar dos anos 1995-1998. E eram famosas as raves do sr. P. Joaquim. Eram quase secretas. Sabíamos que era só para padres, à noite, numa sala do Seminário (não sei se não seria a sala do corvo), com petiscos variados, entre os quais os jaquinzinhos, certamente por homenagem ao aniversariante. Nunca se via nenhum padre a entrar nem a sair e, como era já no final do ano lectivo - dizem as más línguas - que era aí que se sabiam as novidades das nomeações que o Bispo iria fazer em Julho.
Alguns de nós mais atrevidos, festa passada, íamos ao frigorífico, já madrugada, dar conta dos restos. Não tenho memória do que teria sido o repasto; lembro-me só dos queijos e dos benditos jaquinzinhos.
E, quando estas raves se davam (só aconteceram duas no tempo em que por lá andei), pensava eu: quando for padre vou também fazer raves. Achava piada o aniversário de um padre poder juntar outros padres amigos... quanto mais não fosse, era um motivo de encontro.
Com os anos e agora que já sou padre, desapareceu-me o encanto das raves... Prefiro umas "primeiras vésperas" com dois ou três confrades e, com calma e moderação, petiscar e beber qualquer coisa, sem muito barulho, em que o motivo não é a mesa mas a pessoa.
Não escrevo isto porque faça anos... escrevo porque me lembrei das raves. Porque será?

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