Uma surpresa








Hoje, na sacristia, tive uma surpresa: ofereceram-me os dois primeiros volumes do Diário de Miguel Torga! Andava à procura deles há tanto tempo e hoje, quase miraculosamente, foram-me oferecidos por uma amiga. E com os dois volumes ainda uma antologia poética de Miguel Torga, organizado pelo próprio. Trazer este tema para aqui não é para agradecer publicamente a esta amiga a prenda - muito lhe tenho a agradecer! - mas é reparar na atenção e na dedicação que os amigos nos têm e que muitas vezes não damos conta. Para mim, este primeiro volume de Miguel Torga, que ainda se tem de abrir à moda antiga, há-de ficar marcado como a "prenda da sacristia". Partilho com ela e convosco a dedicatória deste primeiro volume e a sua primeira página que é um poema. Diz assim a dedicatória: "Cada dia deixamos uma parte de nós próprios no caminho". O poema chama-se "santo e senha":






"Deixem passar quem vai na sua estrada.
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada.

Deixem, que vai apenas
Beber água do Sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.

Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer.
Deixem-no pois passar, agora

Que vai cheio de noite e solidão.
Que vai ser
Uma estrela no chão
".

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