As Janeiras


Não parou o tempo. É já dia quatro.

Lá continua a velha máquina do tempo, que nunca se avaria, a rodar, a rodar, e a fazer-nos rodar também.

Lá continuam as agendas novas, com os encontros e as marcações da vida e do ano. Com dias mais preenchidos, outros vazios, também as folhas irão passando, não tão inflexíveis como os relógios, mas daremos conta do passar dos dias.

Lá continuam os trabalhos marcados e por marcar, as preocupações que se irão semear, as angústias que nos hão-de rondar.

Lá iremos fazer anos; poucos terão feito em quatro dias. Lembraremos o primeiro berço, o seio da nossa mãe. E cada ano vamos tomando consciência do tempo em nós... como ele nos marca, da erosão e dos riscos com que nos há-de marcar na pele e na carne.

Andar devagar apesar de não sermos nós a mandar. Entrar na roda, dançar, mesmo que seja o senhor Tempo a impor a música e o compasso.
Não apressar. Não adianta adiantar. Diz Jesus: a cada dia basta o seu problema.

Cá está ele. Acomodado. Já não está eufórico. Já acalmou.
Cá está o ano novo com a novidade do futuro mas também com a antiguidade do passado a pedir fidelidade no presente.
Vamos contrariar a pressa. Não vamos sofrer por antecipação. Basta, a cada dia, o seu problema.

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