O Cântico do Glória


O CÂNTICO DO «GLÓRIA»
(4ª parte)


Devemos orar juntos. E porque não cantar juntos, também? Não é o canto, aliás, inseparável do Natal? Foi ouvindo os anjos cantar, que os pastores souberam que qualquer coisa de extraordinário acontecera.
Esse cântico, a Cristandade o captou e retomou através das novas gerações: Glória a Deus e paz aos homens de boa vontade.
Ao ouvir estas palavras, como não passar n'Aquele que no-las transmitiu. Como sabemos nós, com efeito, que tais palavras saudaram o nascimento do salvador? Não foram os pastores que as disseram aos Evangelistas, pois não se conheceram.
Não foi São José, visto que já tinha falecido, quando o Mestre escolhia os seus apóstolos.
Essas palavras ficaram em segredo, como as outras maravilhas que nos conta São Lucas, na alma de Maria, «que guardava e meditava estas coisas no seu coração». O Glória é o cântico dos anjos e o cântico secreto de Maria, antes de ser nosso. É com eles e com ela que devemos retomar-lhe o júbilo e o esplendor.
Já não cantamos, como cantávamos os cânticos de Natal dos tempos passados.
Devíamos ter em casa, para girar, alguns discos com o ritmo da alma litúrgica, para nos fazer viver juntos, em uníssono, as grandes alegrias da Igreja.
A liturgia deve prolongar-se no seio do nosso lar; vibre também o canto da Igreja no ar das nossas casas, brilhem também as luzes do altar com fulgor mais modesto, sem dúvida, mas real, entre nós, sintam todos o Natal por toda a parte, que possa ver-se a sua alegria em todos os rostos.
Santa festa de Natal! Assinalada seja a cada um com um fresco renovo de mais profunda vida cristã. A todos traga a descoberta do laço unificante destas palavras: Glória a Deus e paz aos homens de boa vontade. A paz entre os homens nascerá da glória que derem a Deus. A glória de Deus é a própria paz dos homens. Ajoelhados juntos, nesta noite de Natal, diante de Deus que se fez um de nós, assim cumprimos o gesto mais directo, mais construtivo e criador da fraternidade humana.

(fim)

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