O primeiro livro lido em 2010


Dia 11. Já um livro lido. Fora de todos os meus registos, fora da estante dos livros para ler, este foi visto numa livraria, comprado e lido quase no mesmo dia. É denso não pelas muitas páginas mas pela mística que lhe está entranhada. Ou não tivesse sido escrito por um místico: Angelus Silesius, alemão, do século XVII, poeta, e até filósofo se lhe pode chamar.

É um livro pequeno, traduzido há já algum tempo (1991), que contém aforismos; e à medida que vamos avançando na leitura destas sentenças, temos a noção de que quase somos Deus; ou então que Ele está dentro de nós. Por exemplo este pensamento: "Pára, para onde corres? O céu está em ti. / Procurar Deus noutro lugar, é nunca O alcançar".
É este desconcerto - porque é uma quase desconstrução daquilo que aprendemos e que às vezes ouvimos: o buscar Deus, alcançar o céu, etc., etc. - que nos faz ler, quase de uma rajada só, esta pequena obra tão densa e tão límpida.

Também para os que andam à procura de Deus, Silesius é frontal: "Deus é um puro nada. Nem aqui o aqui nem o agora O tocam. / Quanto mais tentas captá-Lo, tanto mais te escapa".

Perguntamo-nos: Mas então, o que fazer? Quietude? Abandono? Anulação? Mais um pensamento perturbador : "Vai onde não podes; olha onde não vês; / Escuta onde nada tine; estarás onde Deus fala".

Silesius aproxima-nos de Deus, obriga-nos a pensar Deus e coloca Deus em nós: "A alma em que Deus habita (ó felicidade!) / É uma tenda errante da eterna glória".

O livro de que falo tem o título "A rosa é sem porquê". É a primeira parte de um pensamento em que Silesius escreveu assim: "A rosa é sem porquê; floresce porque floresce, / não cuida de si própria, não pergunta se a vemos".

Bom começo literário para mim, neste ainda novo ano. Certamente que virei a esta fonte para tentar perceber Deus na minha vida e para me tentar perceber na vida de Deus.

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