Os lugares mais altos

O bispo de Lamego escreveu uma nota pastoral a convocar toda a diocese para a Festa de Nossa Senhora dos Remédios, que calha sempre no dia 8 de Setembro.
Achei muito interessante o segundo parágrafo em que ele explica o porquê dos santuários estarem situados, normalmente, em lugares muito elevados. Há muitas teorias sobre as situações dos oragos, normalmente relacionam-se com aparições ou milagres, mas a bíblica é, de fato, fascinante: é que, na Bíblia os santuários de Deus, “lugar alto”, tem o significado de “mais alto do que eu”.
Lembro-me há uns anos, teria eu uns 12 anos, de participar numa festa em honra de Santa Bárbara, em Gosende. A capela lá está, no alto da montanha, isolada, mas já não se lá vai. Naquele ano lembro-me da Missa que começou com o cântico “Subiremos montanhas sagradas, colinas suaves do amor cristão. Lá do alto Jesus nos acena mostrando o caminho da salvação”. Lembro-me que, a seguir houve almoço partilhado e baile.
Hoje estas festas já não se fazem: as pessoas deixam de lá ir, os caminhos deixam de se trilhar e os lugares altos ficam abandonados.
Como não sou de cá não ponho nem prego nem estopa mas tenho pena destes lugares abandonados. Porque subir a um monte alto, espiritualmente, sozinho ou acompanhado, é dispor-se a andar, com esforço, para lá em cima nos encontrarmos com aquele que é mais alto que nós. Andar, parar para rezar, desfrutar da paisagem, partilhar e viver a alegria são experiências tão fortes como as dos três Apóstolos no Tabor, no dia da Transfiguração. Lá no alto também nós podemos dizer: “É tão bom estarmos aqui”.
(Capela de São Cristóvão, no Monte de Felgueiras, Resende, a 1142 metros de altura, construída antes da fundação de Portugal)

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