O Jesus histórico e teológico

Há uns dias escrevi aqui de uma revista que me ofereceram sobre a figura histórica de Jesus Cristo e que traria para Feirão para ler cá. Está lida.
As visões estritamente históricas de Jesus não me fascinam. Seria muito redutor e falacioso encontrar e falar só de Jesus de nazaré. Redutor porque, da sua vida, o que menos importa são os dados biográficos e falacioso porque, afinal, onde mais se sabe sobre Jesus é no Novo Testamento, em que a teologia impera sobre a história. De tal modo que, nalguns casos, é preciso forçar um acontecimento ou um lugar por causa da mensagem que se quer transmitir (por exemplo, o recenseamento que é, em São Lucas, o motivo que faz Maria e José terem que se deslocar a Belém. Hoje sabe-se que este recenseamento aconteceu alguns anos antes de Jesus nascer).
Mas esta revista, apesar de ser uma mistura entre história e geografia (GEOHistoire), é muito equilibrada e vê-se que os pressupostos teológicos estão lá. E assim já gosto. Uma abordagem geográfica, histórica e teológica de Jesus, acaba por ser como um banco de três pernas: equilibra. Veja-se, sobre este ponto o que o autor de um artigo diz a certo ponto: “Armado somente das ferramentas da ciência, o historiador não tem o direito de concluir que Jesus é o Filho de Deus, mas pode afirmas que Jesus estava convencido de o ser, mantendo uma relação pessoal, única, íntima, com o Pai. Ir para além daqui é entrar no domínio da cristologia”.
Como digo, e pela terceira vez, uma revista equilibrada. Recheada de imagens e fotografias belíssimas, fala de Jesus e dos seus discípulos e seguidores. Fala dele pela história, pela geografia (tem vários mapas) e pela arte (de Giotto a Andres Serrano, autor desta polémica fotografia, que vale a pena perder dois ou três minutos para ver a intenção do autor). E, no fim, uma interessantíssima entrevista com um teólogo protestante, que leva a o título original mas também provocativo: Quem inventou o cristianismo?
Para desenjoar do tema, as últimas páginas da revista levam o leitor à pré-história, num documentário sobre Elisabeth Daynès que, a partir de ossos dos nossos muito antepassados, consegue reconstruir os seus corpos. Impressionante!
(imagem: Andres Serrano, Piss Christ, 1987)

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