Um Papa que marca golos

Aqui em Feirão, vêm-se os noticiários. Faz parte, haja alguma ligação com o mundo. O de hoje abriu com uma notícia “esperançadora”: o pib, mergulhado nas profundezas do abismo, parece que deu sinais de vida. O partido do governo veio logo congratular-se com este movimento; a oposição diz que é uma boa notícia mas cuidado, não esqueçamos que para traz foi muito mau; o partido que faz pendant com o governo, sempre a dar uma no cravo e outra na ferradura, não se sabe o que o futuro nos traz e gosta do poleiro governativo, mesmo que seja dividido, faz uma festa contida: É uma boa notícia mas… Os comentadores, mais razoáveis, pedem calma e cuidado, não se deitem foguetes antes da festa porque ainda a Missa vai a Santos.
Uma outra notícia, bem mais simpática foi a da audiência do Papa a duas equipas de futebol. Usando a linguagem desportiva, que o Papa Francisco gosta e usa, apesar do ar enjoado de alguma comitiva, o Papa marcou mais um golo. Ontem, no discurso que pronunciou a duas equipas de futebol, dizia-lhes que eles são pessoas de referência, pessoas sociais e que, por isso, deveriam ser exemplo. Foi aplaudido, não sabemos se o discurso entrará na cabeça deles e de outros do ramo. Discurso que serviria para qualquer pessoa que aparece nas televisões seja pelo desporto, política ou até mesmo na religião. Deixo aqui um pequeno parágrafo do discurso do Papa, para conhecimento geral: “Vós, caros jogadores, sois muito populares: as pessoas seguem-vos, não só quando estais no campo mas mesmo fora dele. Tendes uma responsabilidade social! Explico-me: no jogo, quando estais no campo, encontra-se beleza, gratuidade e camaradagem. Se a um jogo falta isto, perde força, mesmo se a equipa ganha. Não se vive no individualismo, mas tudo é coordenado em função da equipa. Estas três coisas: beleza, gratuidade e camaradagem encontram-se reunidas num jogo de futebol e não se devem abandonar nunca”. No final da notícia, um tio meu disse: Estás a ver? É por isso que gosto deste Papa.
O Papa vai marcando golos. Já se diz que a Igreja encontrou, finalmente, um líder, mas que as sociedades ainda andam perdidas. Andam e andarão, enquanto não se encontrarem pessoas que gostem mais de servir do que ser servidas, ou se se deixarem de politiquices e façam mesmo política.

(fotografia: céu azul, em dia de sol, aqui em Feirão, ontem)

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