Hoje fui à missa

É verdade. Hoje foi um dos poucos domingos em que não presidi à Missa mas que concelebrei na bela igreja de Santo Agostinho a Marvila - Lisboa, templo do século XVIII e que hoje celebrava as bodas de ouro como igreja paroquial. Presidiu um dos bispos auxiliares de Lisboa, D. Joaquim Mendes, concelebrei eu e o Pároco, P. Luís Leal. O que me merece falar hoje sobre este acontecimento não é a raridade de concelebrar numa missa de Domingo mas sim o facto de me ter sentido em casa. Sim, porque foi naquela igreja que nasci na fé, foi naquela igreja que cresci, foi aquela igreja que servi como catequista, seminarista e, finalmente, como frade. Fez-se alusão aos padres que dali vieram servir a Igreja de Lisboa: somos três. A comunidade é formada, na sua maioria, por gente das beiras, sobretudo da Beira Alta: Cinfães, Castro Daire e Resende. Gente simples que veio das berças para a capital para ver se conseguia uma vida melhor do que granjear a terra. Apesar de ser uma comunidade envelhecida começa a ver-se jovens empenhados, pedras vivas que dão novo vigor e alma às que se levantaram naquele ano de 1690. Espero mais para a frente fazer uma crónica histórica desta igreja que, na sua origem, albergou as Brígidas (Ordem de São Salvador) e que agora é um lar de idosos. A igreja tem vindo a ser restaurada, aos poucos, porque lá os católicos não têm grandes posses mas têm muito amor a Deus e ao próximo.
Termino este post com uma citação de Santo Agostinho, que ele escreveu na sua auto-biografia "As confissões", em que ele se considera um vencido de Deus: "Tarde te amei, beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! E eis que estavas dentro de mim e eu fora, e aí te procurava, e eu, sem beleza, precipitava-me nessas coisas belas que tu fizeste. Tu estavas comigo e eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti aquelas coisas que não seriam, se em ti não fossem. Chamaste, e clamaste, e rompeste a minha surdez; brilhaste, cintilaste, e afastaste a minha cegueira; exalaste o teu perfume, e eu o aspirei e suspiro por ti; saboreei-te, e tenho fome e sede; tocaste-me, e abrasei-me no desejo da tua paz."
(Altar-mor da igreja)



(Sagração episcopal de Santo Agostinho)




(Morte de Santo Agostinho)

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