Entre abóboras, couves e nabos


Quem me visse hoje de manhã diria que era um lavrador; ou se soubessem que era frade, diriam que era trapista. Uma manhã passada numa quinta a acartar abóboras e a apanhar nabos, grelos, lombardos, cenouras e couves. Bendito seja Deus. Na quinta do Ramalhão, propriedade das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, com a Prioresa a ajudar (na verdade ela é que cortava as hortaliças!), no dia em que fazia anos! Terra abençoada. Tudo o que ali se semear ou plantar tem sucesso! Que bonita manhã de Outono: uma quinta com o nevoeiro fresco de Sintra, um lavrador a arrancar cenouras, outro a cortar canas, terras lavradas, as laranjeiras a darem cor aos seus frutos, as ameixoeiras a quererem florir, a combinação entre o castanho e o verde, a água que corre em várias fontes... Que riqueza e que beleza! Para as Irmãs que, generosamente, nos dão estes frutos da terra e do trabalho humano e para mim que ainda posso sair uma manhã para poder desfrutar da beleza da terra trabalhada. Depois de carregar tudo na carrinha e de ainda trazer um frasco de funcho (erva-doce para os continentais), que vou aproveitar para fazer alguns "Pães-por-Deus", no sábado, se tudo correr como estou a programar, e de um saco de feijão frade, com as respectivas despedidas e agradecimentos, toca de vir para Lisboa. À chegada, o trabalho inverso; descarregar tudo. Enquanto corto e descasco uma grande abóbora (a que está na fotografia e pesa, pelo menos, uns 50kg!), um confrade, bastante mais velho que eu, trata de lavar as cenouras e os nabos. Os grelos já se comeram ao almoço. Os lombardos e as couves foram para o frigorífico. E assim se passou uma manhã de quinta-feira.

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